Tiago 1
João Calvino · Comentários Bíblicos
Tiago 1:1
1 Às doze tribos. Quando as dez tribos foram banidas, o rei assírio as colocou em diferentes partes. Depois, como costuma acontecer nas revoluções de reinos (tais como então ocorreram), é muito provável que eles se movessem aqui e ali em todas as direções. E os judeus foram espalhados por quase todos os cantos do mundo. Ele então escreveu e exortou todos aqueles a quem ele não podia dirigir-se pessoalmente, porque estavam espalhados por toda parte. Mas ele não fala da graça de Cristo e da fé nele, a razão parece ser esta, porque ele se dirigiu àqueles que já haviam sido corretamente ensinados por outros; de modo que eles precisavam, não tanto de doutrina, mas de aguilhões de exortações.
Tiago 1:2
2 Toda alegria. A primeira exortação é: suportar as provações com a mente alegre. E era especialmente necessário naquela época confortar os judeus, quase oprimidos como estavam pelos problemas. Pois o próprio nome da nação era tão infame que eles eram odiados e desprezados por todas as pessoas onde quer que fossem; e a sua condição de cristãos tornou-os ainda mais miseráveis, porque consideravam a sua própria nação como o seu inimigo mais inveterado. Ao mesmo tempo, esta consolação não foi tão adequada para uma época, mas é sempre útil para os crentes, cuja vida é uma guerra constante na terra. Mas para que possamos saber mais plenamente o que ele quer dizer, devemos, sem dúvida, considerar as tentações ou provações como incluindo todas as coisas adversas; e são assim chamados porque são os testes de nossa obediência a Deus. Ele convida os fiéis, enquanto exercitados com estes, a se alegrarem; e isso não apenas quando caem em uma tentação, mas em muitas, não apenas de um tipo, mas de vários tipos. E, sem dúvida, visto que servem para mortificar a nossa carne, como os vícios da carne continuamente surgem em nós, devem necessariamente ser repetidos com frequência. Além disso, como sofremos de doenças, não é de admirar que diferentes remédios sejam aplicados para removê-las. O Senhor então nos aflige de várias maneiras, porque a ambição, a avareza, a inveja, a gula, a intemperança, o amor excessivo ao mundo e as inúmeras concupiscências em que abundamos, não podem ser curadas pelo mesmo remédio. Quando ele nos manda considerar tudo como alegria, é como se ele tivesse dito que as tentações devem ser consideradas como ganho, a ponto de serem consideradas ocasiões de alegria. Ele quer dizer, em resumo, que não há nada nas aflições que deva perturbar nossa alegria. E assim, ele não apenas nos ordena que suportemos as adversidades com calma e serenidade, mas nos mostra que esta é uma razão pela qual os fiéis devem se alegrar quando pressionados por elas. É, de fato, certo que todos os sentidos de nossa natureza são formados de tal maneira que toda provação produz em nós dor e tristeza; e nenhum de nós pode até agora despojar-se de sua natureza para não sofrer e ficar triste sempre que sentir algum mal. Mas isso não impede que os filhos de Deus se elevem, pela orientação do Espírito, acima da tristeza da carne. É por isso que, no meio dos problemas, eles deixam de não se alegrar.
Tiago 1:3
3 Sabendo disso, é tentar. Vemos agora por que ele chamou as adversidades de provações ou tentações, até porque elas servem para testar a nossa fé. E há aqui uma razão dada para confirmar a última frase. Pois poderia, por outro lado, ser objetado: “Como é que julgamos aquele doce que, para os sentidos, é amargo?” Ele então mostra pelo efeito que devemos nos alegrar com as aflições, porque elas produzem frutos que devem ser altamente valorizados, até mesmo a paciência. Se Deus então provê a nossa salvação, ele nos proporciona uma ocasião de regozijo. Pedro usa um argumento semelhante no início de sua primeira epístola: “Para que a prova da vossa fé seja mais preciosa do que o ouro”, etc. [1 Pedro 1:7.] Certamente tememos doenças, e necessidade, e exílio, e prisão, e reprovação, e morte, porque os consideramos como males; mas quando entendemos que eles são transformados, através da bondade de Deus, em ajudas e auxílios para a nossa salvação, é ingratidão murmurar e não se submeter voluntariamente a ser tratado assim paternalmente. Paulo diz, em Romanos 5:3, que devemos nos gloriar nas tribulações; e Tiago diz aqui que devemos nos alegrar. “Nós nos gloriamos”, diz Paulo, “nas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência”. O que se segue imediatamente parece contrário às palavras de Tiago; pois ele menciona a provação em terceiro lugar, como o efeito da paciência, que aqui é colocada em primeiro lugar como se fosse a causa. Mas a solução é óbvia; a palavra ali tem um significado ativo, mas aqui um significado passivo. James diz que a liberdade condicional ou julgamento produz paciência; pois se Deus não nos provasse, mas nos deixasse livres de problemas, não haveria paciência, o que não é outra coisa senão fortaleza mental para suportar os males. Mas Paulo quer dizer que, embora perseverando, vencemos os males, experimentamos o quanto a ajuda de Deus é útil nas necessidades; pois então a verdade de Deus é, por assim dizer, manifestada a nós na realidade. É por isso que ousamos ter mais esperança quanto ao futuro; pois a verdade de Deus, conhecida pela experiência, é mais plenamente acreditada por nós. Portanto, Paulo ensina que por tal provação, isto é, por tal experiência da graça divina, a esperança é produzida, não que a esperança apenas comece, mas que ela aumente e seja confirmada. Mas ambos significam que a tribulação é o meio pelo qual a paciência é produzida. Além disso, as mentes dos homens não são formadas pela natureza de modo que a aflição por si só produza neles paciência. Mas Paulo e Pedro consideram não tanto a natureza dos homens, mas a providência de Deus através da qual ela vem, para que os fiéis aprendam a ter paciência com os problemas; pois os ímpios são cada vez mais provocados à loucura, como prova o exemplo do Faraó.
Tiago 1:4
4 Mas deixe a paciência realizar seu trabalho perfeito. Como a ousadia e a coragem muitas vezes aparecem em nós e logo falham, ele exige, portanto, perseverança. “A verdadeira paciência”, diz ele, “é aquela que persevera até o fim”. Pois trabalho aqui significa o esforço não apenas para vencer uma competição, mas para perseverar pela vida. Sua perfeição também pode se referir à sinceridade da alma, que os homens devem submeter-se voluntariamente e não fingidamente a Deus; mas à medida que a palavra trabalho é acrescentada, prefiro explicá-la como constância. Pois há muitos, como dissemos, que mostram a princípio uma grandeza heróica e logo depois ficam cansados e desmaiados. Ele, portanto, ordena àqueles que desejam ser perfeitos e íntegros que perseverem até o fim. Mas o que ele quer dizer com essas duas palavras, ele explica depois daqueles que não falham, ou não ficam cansados: pois eles, que sendo vencidos quanto à paciência, são quebrados, devem, aos poucos, ser necessariamente enfraquecidos e, por fim, falhar completamente.
Tiago 1:5
5 Se algum de vocês tem falta de sabedoria. Como a nossa razão e todos os nossos sentimentos são avessos à ideia de que podemos ser felizes no meio dos males, ele nos convida a pedir ao Senhor que nos dê sabedoria. Para obter sabedoria aqui, limito-me ao assunto da passagem, como se ele tivesse dito: “Se esta doutrina é mais elevada do que suas mentes podem alcançar, peça ao Senhor que os ilumine pelo seu Espírito; pois, como esse consolo por si só é suficiente para mitigar toda a amargura dos males, o que é doloroso para a carne é salutar para nós; então devemos necessariamente ser vencidos pela impaciência, a menos que sejamos sustentados por esse tipo de conforto”. Visto que vemos que o Senhor não exige de nós o que está acima de nossas forças, mas que está pronto para nos ajudar, desde que peçamos, aprendamos, portanto, sempre que ele ordenar alguma coisa, a pedir-lhe o poder para realizá-la. Embora neste lugar ser sábio seja submeter-se a Deus na resistência aos males, sob a devida convicção de que ele ordena todas as coisas de modo a promover a nossa salvação; ainda assim, a sentença pode ser geralmente aplicada a todos os ramos do conhecimento correto. Mas por que ele diz Se alguém, como se todos eles não quisessem sabedoria. A isto eu respondo que todos estão, por natureza, sem ele; mas que alguns são dotados do espírito de sabedoria, enquanto outros não o possuem. Como, então, nem todos fizeram progresso a ponto de se alegrarem na aflição, mas poucos foram os que receberam isso, Tiago, portanto, referiu-se a tais casos; e ele lembrou àqueles que ainda não estavam totalmente convencidos de que pela cruz sua salvação foi promovida pelo Senhor, que deveriam pedir para serem dotados de sabedoria. E, no entanto, não há dúvida de que essa necessidade nos lembra a todos de perguntar a mesma coisa; pois aquele que fez o maior progresso ainda está longe da meta. Mas pedir um aumento de sabedoria é outra coisa do que pedir inicialmente. Quando ele nos manda pedir ao Senhor, ele sugere que somente ele pode curar nossas doenças e aliviar nossas necessidades. Isso dá a todos os homens liberalmente. Por tudo, ele se refere àqueles que perguntam; pois aqueles que não buscam remédio para suas necessidades merecem definhar nelas. Contudo, esta declaração universal, pela qual cada um de nós é convidado a pedir, sem excepção, é muito importante; portanto, nenhum homem deveria privar-se de um privilégio tão grande. Com o mesmo propósito está a promessa que se segue imediatamente; pois assim como por esse comando ele mostra qual é o dever de cada um, ele afirma que eles não fariam em vão o que ele ordena; de acordo com o que é dito por Cristo, “Bata e será aberto.” (Mateus 7:7; Lucas 11:9.) A palavra liberalmente, ou livremente, denota prontidão em dar. Assim, Paulo, em Romanos 12:8, exige simplicidade nos diáconos. E em 2 Coríntios 8 e 2 Coríntios 9, ao falar de caridade ou amor, ele repete várias vezes a mesma palavra. O significado, então, é que Deus está tão inclinado e pronto para dar, que ele não rejeita ninguém, ou os adia arrogantemente, não sendo como os mesquinhos e gananciosos, que com moderação, como com a mão fechada, dão apenas pouco, ou dão apenas uma parte do que estavam prestes a dar, ou debatem longamente consigo mesmos se deveriam dar ou não. E não censura. Isto é acrescentado, para que ninguém tenha medo de ir a Deus com muita frequência. Aqueles que são os mais liberais entre os homens, quando alguém pede frequentemente para ser ajudado, mencionam seus atos formais de bondade e, assim, desculpam-se para o futuro. Conseqüentemente, um homem mortal, por mais generoso que seja, temos vergonha de nos cansar de perguntar com muita frequência. Mas Tiago nos lembra que não há nada assim em Deus; pois ele está sempre pronto para acrescentar novas bênçãos às anteriores, sem qualquer fim ou limitação.
Tiago 1:6
6 Mas peça com fé. Ele mostra aqui, primeiro a maneira correta de orar; pois assim como não podemos orar sem que a palavra, por assim dizer, indique o caminho, devemos acreditar antes de orar; pois testemunhamos pela oração que esperamos obter de Deus a graça que ele prometeu. Assim, todo aquele que não tem fé nas promessas ora dissimuladamente. Conseqüentemente, também aprendemos o que é a verdadeira fé; pois Tiago, depois de nos ter ordenado a pedir com fé, acrescenta esta explicação, sem hesitar ou sem duvidar de nada. Então a fé é aquela que confia nas promessas de Deus e nos dá a certeza de obter o que pedimos. Segue-se, portanto, que está conectado com confiança e certeza quanto ao amor de Deus por nós. O verbo διακρίνεσθαι, que ele usa, significa investigar adequadamente os dois lados de uma questão, à maneira dos defensores. Ele deseja que estejamos tão convencidos do que Deus prometeu uma vez, que não admitamos dúvidas se ele será ouvido ou não. Aquele que vacila ou duvida. Por esta semelhança ele expressa de forma impressionante como Deus pune a incredulidade daqueles que duvidam de suas promessas; pois, por sua própria inquietação, eles se atormentam interiormente; pois nunca há calma para nossas almas, a menos que elas recorram à verdade de Deus. Ele, finalmente, conclui que tais pessoas são indignas de receber qualquer coisa de Deus. Esta é uma passagem notável, adequada para refutar aquele dogma ímpio que é considerado um oráculo sob todo o Papado, isto é, que devemos orar com dúvida e com incerteza quanto ao nosso sucesso. Mantemos este princípio, então, de que nossas orações não são ouvidas pelo Senhor, exceto quando temos a confiança de que obteremos. Na verdade, não pode ser de outra forma, mas através da enfermidade da nossa carne devemos ser atirados por várias tentações, que são como motores usados para abalar a nossa confiança; para que não se encontre ninguém que não vacile e trema segundo o sentimento da sua carne; mas tentações desse tipo devem ser vencidas pela fé. O caso é o mesmo de uma árvore que criou raízes firmes; treme, de fato, com o sopro do vento, mas não está enraizado; pelo contrário, permanece firme no seu lugar.
Tiago 1:8
8 Um homem de mente dividida, ou um homem de mente dividida. Esta frase pode ser lida por si só, já que ele fala geralmente de hipócritas. Parece-me, no entanto, ser antes a conclusão da doutrina anterior; e assim há um contraste implícito entre a simplicidade ou liberalidade de Deus, mencionada antes, e a duplicidade de espírito do homem; pois assim como Deus nos dá com a mão estendida, também nos cabe abrir o seio do nosso coração. Ele então diz que os incrédulos, que têm recantos tortuosos, são instáveis; porque nunca são firmes ou fixos, mas ora incham com a confiança da carne, ora afundam nas profundezas do desespero.
Tiago 1:9
9 Deixe o irmão de baixo grau. Como Paulo, exortando os servos a suportarem submissamente sua sorte, coloca diante deles este consolo, de que eles eram os homens livres de Deus, tendo sido libertados por sua graça da mais miserável escravidão de Satanás, e os lembra, embora livres, ainda para lembrar que eles eram os servos de Deus; então aqui Tiago, da mesma maneira, convida os humildes a se gloriarem nisso, que eles foram adotados pelo Senhor como seus filhos; e os ricos, porque foram reduzidos à mesma condição, tendo-lhes ficado evidente a vaidade do mundo. Assim, a primeira coisa que ele teria que fazer é contentar-se com seu estado humilde e baixo; e ele proíbe os ricos de serem orgulhosos. Visto que é incomparavelmente a maior dignidade ser introduzido na companhia dos anjos, ou melhor, ser feito associado de Cristo, aquele que avalia corretamente esse favor de Deus considerará todas as outras coisas como inúteis. Então, nem a pobreza, nem o desprezo, nem a nudez, nem a fome, nem a sede deixarão sua mente tão ansiosa, mas ele se sustentará com esse consolo. “Visto que o Senhor me conferiu a coisa principal, cabe-me suportar pacientemente a perda de outras coisas, que são inferiores.” Eis como um irmão humilde deve se gloriar em sua elevação ou exaltação; pois se ele for aceito por Deus, ele terá consolo suficiente apenas em sua adoção, para não lamentar indevidamente por um estado de vida menos próspero.
Tiago 1:10
10 Mas o rico, na medida em que é humilhado, ou, na sua humilhação. Ele mencionou o particular para o geral; pois esta advertência pertence a todos aqueles que se destacam em honra; ou em dignidade, ou em qualquer outra coisa externa. Ele os convida a se gloriarem em sua baixeza ou pequenez, a fim de reprimir a arrogância daqueles que geralmente estão cheios de prosperidade. Mas ele chama isso de baixeza, porque o reino manifestado de Deus deveria nos levar a desprezar o mundo, pois sabemos que todas as coisas que antes admirávamos muito, ou são nada ou são muito pequenas. Pois Cristo, que não é professor exceto de bebês, restringe por sua doutrina toda a arrogância da carne. Para que, então, a vã alegria do mundo não cativasse os ricos, eles deveriam habituar-se à glória na derrubada de sua excelência carnal. Como a flor da grama. Se alguém dissesse que Tiago alude às palavras de Isaías, eu não faria muita objeção; mas não posso permitir que ele cite o testemunho do Profeta, que fala não apenas das coisas desta vida e do caráter enfraquecido do mundo, mas do homem inteiro, tanto corpo como alma; [Isaías 40:6-8;] mas aqui o que se fala é da pompa da riqueza ou das riquezas. E o significado é que gloriar-se nas riquezas é tolo e absurdo, porque elas desaparecem num momento. Os filósofos ensinam a mesma coisa; mas a canção é cantada aos surdos, até que os ouvidos sejam abertos pelo Senhor para ouvir a verdade a respeito da eternidade do reino celestial. Por isso ele menciona irmão; insinuando que não há lugar para esta verdade, até que sejamos admitidos na ordem dos filhos de Deus.
Tiago 1:11
Embora a leitura recebida seja ἐν ταῖς πορείαις, ainda assim concordo com Erasmo e leio a última palavra, πορίαις, sem o ditongo “em suas riquezas” ou, com suas riquezas; e o último eu prefiro.
Tiago 1:12
12 Bem-aventurado o homem. Depois de ter aplicado o consolo, ele moderou a tristeza daqueles que foram severamente tratados neste mundo e novamente humilhou a arrogância dos grandes. Ele agora tira esta conclusão: são felizes aqueles que suportam magnanimamente os problemas e outras provações, de modo a superá-los. A palavra tentação pode de fato ser entendida de outra forma, mesmo para as ferroadas das concupiscências que incomodam a alma interior; mas o que é elogiado aqui, como penso, é a fortaleza de espírito para suportar adversidades. É, no entanto, um paradoxo que não sejam felizes aqueles para quem todas as coisas acontecem de acordo com seus desejos, mas aqueles que não são vencidos pelos males. Para quando ele for julgado. Ele dá uma razão para a frase anterior; para a coroa segue o concurso. Se, então, nossa principal felicidade é ser coroado no reino de Deus, segue-se que as disputas com as quais o Senhor nos prova são auxílios e ajudas para nossa felicidade. Assim, o argumento é do fim ou do efeito: portanto, concluímos que os fiéis são assediados por tantos males para esse propósito, para que sua piedade e obediência possam ser manifestadas, e para que possam estar finalmente preparados para receber a coroa da vida. Mas eles raciocinam absurdamente e daí inferem que nós, pela luta, merecemos a coroa; pois como Deus o designou gratuitamente para nós, nossa luta apenas nos torna aptos a recebê-lo. Ele acrescenta que é prometido àqueles que amam a Deus. Ao falar assim, ele não quer dizer que o amor do homem seja a causa da obtenção da coroa (pois Deus nos antecipa por seu amor gratuito); mas ele apenas sugere que somente os eleitos que o amam são aprovados por Deus. Ele então nos lembra que os vencedores de todas as tentações são aqueles que amam a Deus, e que não falhamos em coragem quando somos provados, por nenhuma outra causa senão porque o amor do mundo prevalece em nós.
Tiago 1:13
13 Ninguém, quando for tentado. Aqui, sem dúvida, ele fala de outro tipo de tentação. É abundantemente evidente que as tentações externas, até agora mencionadas, nos são enviadas por Deus. Desta forma, Deus tentou Abraão (Gênesis 22:1) e diariamente nos tenta, isto é, ele nos prova quanto ao que somos, colocando diante de nós uma ocasião pela qual nossos corações são revelados. Mas extrair o que está escondido em nossos corações é algo muito diferente de seduzir interiormente nossos corações com concupiscências perversas. Ele então trata aqui das tentações interiores que nada mais são do que desejos desordenados que induzem ao pecado. Ele nega com justiça que Deus seja o autor destes, porque eles fluem da corrupção da nossa natureza. Esta advertência é muito necessária, pois nada é mais comum entre os homens do que transferir a outro a culpa dos males que cometem; e eles então parecem se libertar especialmente quando atribuem isso ao próprio Deus. Constantemente imitamos esse tipo de evasão, que nos foi transmitida como se fosse do primeiro homem. Por esta razão, Tiago nos chama a confessar a nossa própria culpa, e não a implicar Deus, como se ele nos obrigasse a pecar. Mas toda a doutrina das Escrituras parece ser inconsistente com esta passagem; pois nos ensina que os homens são cegos por Deus, entregues a uma mente reprovada e entregues a concupiscências imundas e vergonhosas. A isto respondo que provavelmente Tiago foi induzido a negar que somos tentados por Deus por esse motivo, porque os ímpios, a fim de formar uma desculpa, armaram-se com testemunhos das Escrituras. Mas há duas coisas a serem notadas aqui: quando a Escritura atribui cegueira ou dureza de coração a Deus, ela não atribui a ele o início dessa cegueira, nem faz dele o autor do pecado, de modo a atribuir-lhe a culpa: e apenas nessas duas coisas Tiago se detém. As Escrituras afirmam que os réprobos são entregues a concupiscências depravadas; mas é porque o Senhor deprava ou corrompe seus corações? De forma alguma; pois seus corações estão sujeitos a concupiscências depravadas, porque já são corruptos e perversos. Mas visto que Deus cega ou endurece, não é ele o autor ou ministro do mal? Não, mas dessa maneira ele pune os pecados e dá uma recompensa justa aos ímpios, que se recusaram a ser governados por seu Espírito. (Romanos 1:26.) Segue-se, portanto, que a origem do pecado não está em Deus, e nenhuma culpa pode ser imputada a ele como se ele tivesse prazer nos males. (Gênesis 6:6.) O significado é que o homem evita em vão, quem tenta lançar a culpa de seus vícios sobre Deus, porque todo mal não procede de nenhuma outra fonte senão da concupiscência perversa do homem. E o fato é que não somos desviados de outra forma, exceto que cada um tem sua própria inclinação como líder e impulsor. Mas que Deus não tenta ninguém, ele prova com isso, porque ele não é tentado pelos males. Pois é o diabo quem nos atrai ao pecado, e por esta razão, porque ele arde totalmente com a louca concupiscência de pecar. Mas Deus não deseja o mal: ele não é, portanto, o autor de fazer o mal em nós.
Tiago 1:14
14 Quando ele é atraído pela sua própria concupiscência. Como a inclinação e a excitação para o pecado são internas, em vão o pecador busca uma causa a partir de um impulso externo. Ao mesmo tempo, esses dois efeitos da luxúria devem ser notados – que ela nos enreda com suas seduções e que nos afasta; cada um dos quais é suficiente para nos tornar culpados.
Tiago 1:15
15 Então, quando a luxúria tiver concebido. Ele primeiro chama aquela luxúria que não é qualquer tipo de afeição ou desejo maligno, mas aquela que é a fonte de todas as afeições malignas; pelo qual, como ele mostra, são concebidas ninhadas viciosas, que finalmente se transformam em pecados. Parece, no entanto, impróprio, e não de acordo com o uso das Escrituras, restringir a palavra pecado às obras exteriores, como se de fato a própria luxúria não fosse um pecado, e como se os desejos corruptos, permanecendo fechados e suprimidos, não fossem tantos pecados. Mas como o uso de uma palavra é variado, não há nada de irracional se ela for tomada aqui, como em muitos outros lugares, como pecado real. E os papistas ignorantemente se apegam a esta passagem e procuram provar a partir dela que concupiscências viciosas, sim, sujas, perversas e as mais abomináveis não são pecados, desde que não haja consentimento; pois Tiago não mostra quando o pecado começa a nascer, para ser pecado, e assim contabilizado por Deus, mas quando ele irrompe. Pois ele procede gradualmente e mostra que a consumação do pecado é a morte eterna, e que o pecado surge de desejos depravados, e que esses desejos ou afeições depravadas têm sua raiz na luxúria. Segue-se daí que os homens colhem frutos na perdição eterna, e frutos que adquiriram para si mesmos. Por pecado aperfeiçoado, portanto, entendo não qualquer ato de pecado perpetrado, mas o curso completo do pecado. Pois embora a morte seja merecida por qualquer pecado, ainda assim é dito que é a recompensa de uma vida ímpia e perversa. Daí a velhice daqueles que são refutados e concluem destas palavras que o pecado não é mortal até que irrompe, como dizem, em um ato externo. Nem é disso que James trata; mas seu objetivo era apenas este: ensinar que existe em nós a raiz de nossa própria destruição.
Tiago 1:16
16 Não erre. Este é um argumento do oposto; pois como Deus é o autor de todo bem, é absurdo supor que ele seja o autor do mal. Fazer o bem é o que lhe pertence propriamente e de acordo com sua natureza; e dele todas as coisas boas vêm para nós. Então, qualquer que seja o mal que ele faça, não é agradável à sua natureza. Mas como às vezes acontece, que aquele que se sai bem ao longo da vida, mas falha em algumas coisas, ele enfrenta essa dúvida negando que Deus é mutável como os homens. Mas se Deus está em todas as coisas e sempre igual a si mesmo, segue-se daí que fazer o bem é sua obra perpétua.
Tiago 1:17
Este raciocínio é muito diferente daquele de Platão, que sustentava que Deus não envia nenhuma calamidade aos homens, porque ele é bom; pois embora seja justo que os crimes dos homens sejam punidos por Deus, ainda assim não é certo, com relação a ele, considerar entre os males aquele castigo que ele inflige com justiça. Platão, de fato, era ignorante; mas Tiago, deixando a Deus seu direito e função de punir, apenas remove dele a culpa. Esta passagem nos ensina que devemos ser tão afetados pelas inúmeras bênçãos de Deus, que diariamente recebemos de suas mãos, que não devemos pensar em nada além de sua glória; e que devemos abominar tudo o que vem à nossa mente, ou é sugerido por outros, que não seja compatível com o seu louvor. Deus é chamado de Pai das luzes, por possuir toda excelência e a mais alta dignidade. E quando ele acrescenta imediatamente que nele não há sombra de mudança, ele continua a metáfora; para que não possamos medir o brilho de Deus pela irradiação do sol que nos aparece.
Tiago 1:18
18 Of his own will. He now brings forward a special proof of the goodness of God which he had mentioned, even that he has regenerated us unto eternal life. This invaluable benefit every one of the faithful feels in himself. Then the goodness of God, when known by experience, ought to remove from them all a contrary opinion respecting him. When he says that God of his own will, or spontaneously, hath begotten us, he intimates that he was induced by no other reason, as the will and counsel of God are often set in opposition to the merits of men. What great thing, indeed, would it have been to say that God was not constrained to do this? But he impresses something more, that God according to his own goodwill hath begotten us, and has been thus a cause to himself. It hence follows that it is natural to God to do good. But this passage teaches us, that as our election before the foundation of the world was gratuitous, so we are illuminated by the grace of God alone as to the knowledge of the truth, so that our calling corresponds with our election. The Scripture shews that we have been gratuitously adopted by God before we were born. But James expresses here something more, that we obtain the right of adoption, because God does also call us gratuitously. (Ephesians 1:4, 5.) Farther, we hence learn, that it is the peculiar office of God spiritually to regenerate us; for that the same thing is sometimes ascribed to the ministers of the gospel, means no other thing than this, that God acts through them; and it happens indeed through them, but he nevertheless alone doeth the work. The word begotten means that we become new men, so that we put off our former nature when we are effectually called by God. He adds how God begets us, even by the word of truth, so that we may know that we cannot enter the kingdom of God by any other door. That we should be a kind of firstfruits of his creatures. The word τινὰ, “some,” has the meaning of likeness, as though he had said, that we are in a manner firstfruits. But this ought not to be restricted to a few of the faithful; but it belongs to all in common. For as man excels among all creatures, so the Lord elects some from the whole mass and separates them as a holy offering, to himself. It is no common nobility into which God extols his own children. Then justly are they said to be excellent as firstfruits, when God’s image is renewed in them.
Tiago 1:19
19 Let every man. Were this a general sentence, the inference would be farfetched; but as he immediately adds a sentence respecting the word of truth suitable to the last verse, I doubt not but that he accommodates this exhortation peculiarly to the subject in hand. Having then set before us the goodness of God, he shews how it becomes us to be prepared to receive the blessing which he exhibits towards us. And this doctrine is very useful, for spiritual generation is not a work of one moment. Since some remnants of the old man ever abide in us, we must necessarily be through life renewed, until the flesh be abolished; for either our perverseness, or arrogance, or sloth, is a great impediment to God in perfecting in us his work. Hence, when James would have us to be swift to hear, he commends promptitude, as though he had said, “When God so freely and kindly presents himself to you, you also ought to render yourselves teachable, lest your slowness should cause him to desist from speaking.” But inasmuch as we do not calmly hear God speaking to us, when we seem to ourselves to be very wise, but by our haste interrupt him when addressing us, the Apostle requires us to be silent, to be slow to speak. And, doubtless, no one can be a true disciple of God, except he hears him in silence. He does not, however, require the silence of the Pythagorean school, so that it should not be right to inquire whenever we desire to learn what is necessary to be known; but he would only have us to correct and restrain our forwardness, that we may not, as it commonly happens, unseasonably interrupt God, and that as long as he opens his sacred mouth, we may open to him our hearts and our ears, and not prevent him to speak. Slow to wrath. Wrath also, I think, is condemned with regard to the hearing which God demands to be given to him, as though making a tumult it disturbed and impeded him, for God cannot be heard except when the mind is calm and sedate. Hence, he adds, that as long as wrath bears rule there is no place for the righteousness of God. In short, except the heat of contention be banished, we shall never observe towards God that calm silence of which he has just spoken.
Tiago 1:21
21 Wherefore lay apart. He concludes by saying how the word of life is to be received. And first, indeed, he intimates that it cannot be rightly received except it be implanted, or strike roots in us. For the expression, to receive the implanted word, ought to be thus explained, “to receive it, that it may be really implanted.” For he alludes to seed often sown on and ground, and not received into the moist bosom of the earth; or to plants, which being cast on the ground, or laid on dead wood, soon wither. He then requires that it should be a living implanting, by which the word becomes as it were united with our heart. He at the same time shews the way and manner of this reception, even with meekness. By this word he means humility and the readiness of a mind disposed to learn, such as Isaiah describes when he says, “On whom does my Spirit rest, except on the humble and meek?” (Isaiah 57:15.) Hence it is, that so far profit in the school of God, because hardly one in a hundred renounces the stubbornness of his own spirit, and gently submits to God; but almost all are conceited and refractory. But if we desire to be the living plantation of God, we must subdue our proud hearts and be humble, and labor to become like lambs, so as to suffer ourselves to be ruled and guided by our Shepherd. But as men are never thus tamed, so as to have a calm and meek heart, except they are purged from depraved affections, so he bids us to lay aside uncleanness and redundancy of wickedness. And as James borrowed a comparison from agriculture, it was necessary for him to observe this order, to begin by rooting up noxious weeds. And since he addressed all, we may hence conclude that these are the innate evils of our nature, and that they cleave to us all; yea, since he addresses the faithful, he shews that we are never wholly cleansed from them in this life, but that they are continually sprouting up, and therefore he requires that care should be constantly taken to eradicate them. As the word of God is especially a holy thing; to be fitted to receive it, we must put off the filthy things by which we have been polluted. Under the word κακία, he comprehends hypocrisy and obstinacy as well as unlawful desires or lusts. Not satisfied with specifying the seat of wickedness as being in the soul of man, he teaches us that so abounding is the wickedness that dwells there, that it overflows, or that it rises up as it were into a heap; and doubtless, whosoever will well examine himself will find that there is within him an immense chaos of evils. Which is able to save. It is a high eulogy on heavenly truth, that we obtain through it a sure salvation; and this is added, that we may learn to seek and love and magnify the word as a treasure that is incomparable. It is then a sharp goad to chastise our idleness, when he says that the word which we are wont to hear so negligently, is the means of our salvation, though for this purpose the power of saving is not ascribed to the word, as if salvation is conveyed by the external sound of the word, or as if the office of saving is taken away from God and transferred elsewhere; for James speaks of the word which by faith penetrates into the hearts of men, and only intimates that God, the author of salvation, conveys it by his Gospel.
Tiago 1:22
22 Be ye doers of the word. The doer here is not the same as in Romans 2:13, who satisfied the law of God and fulfilled it in every part, but the doer is he who from the heart embraces God’s word and testifies by his life that he really believes, according to the saying of Christ, “Blessed are they who hear God’s word and keep it,” (Luke 11:28;) for he shews by the fruits what that implanting is, before mentioned. We must further observe, that faith with all its works is included by James, yea, faith especially, as it is the chief work which God requires from us. The import of the whole is, that we ought to labor that the word of the Lord should strike root in us, so that it may afterwards fructify.
Tiago 1:23
23 He is like to a man. Heavenly doctrine is indeed a mirror in which God presents himself to our view; but so that we may be transformed unto his image, as Paul says in 2 Corinthians 3:18. But here he speaks of the external glance of the eye, not of the vivid and efficacious meditation which penetrates into the heart. It is a striking comparison, by which he briefly intimates, that a doctrine merely heard and not received inwardly into the heart avails nothing, because it soon vanishes away.
Tiago 1:25
25 The perfect law of liberty. After having spoken of empty speculation, he comes now to that penetrating intuition which transforms us to the image of God. And as he had to do with the Jews, he takes the word law, familiarly known to them, as including the whole truth of God. But why he calls it a perfect law, and a law of liberty, interpreters have not been able to understand; for they have not perceived that there is here a contrast, which may be gathered from other passages of Scripture. As long as the law is preached by the external voice of man, and not inscribed by the finger and Spirit of God on the heart, it is but a dead letter, and as it were a lifeless thing. It is, then, no wonder that the law is deemed imperfect, and that it is the law of bondage; for as Paul teaches in Galatians 4:24, separated from Christ, it generates to condemn and as the same shews to us in Romans 8:13, it can do nothing but fill us with diffidence and fear. But the Spirit of regeneration, who inscribes it on our inward parts, brings also the grace of adoption. It is, then, the same as though James had said, “The teaching of the law, let it no longer lead you to bondage, but, on the contrary, bring you to liberty; let it no longer be only a schoolmaster, but bring you to perfection: it ought to be received by you with sincere affection, so that you may lead a godly and a holy life.” Moreover, since it is a blessing of the Old Testament that the law of God should reform us, as it appears from Jeremiah 31:33, and other passages, it follows that it cannot be obtained until we come to Christ. And, doubtless, he alone is the end and perfection of the law; and James adds liberty, as an inseparable associate, because the Spirit of Christ never regenerates but that he becomes also a witness and an earnest of our divine adoption, so as to free our hearts from fear and trembling. And continueth. This is firmly to persevere in the knowledge of God; and when he adds, this man shall be blessed in his deed, or work, he means that blessedness is to be found in doing, not in cold hearing.
Tiago 1:26
26 Seem to be religious. He now reproves even in those who boasted that they were doers of the law, a vice under which hypocrites commonly labor, that is, the wantonness of the tongue in detraction. He has before touched on the duty of restraining the tongue, but for a different end; for he then bade silence before God, that we might be more fitted to learn. He speaks now of another thing, that the faithful should not employ their tongue in evil speaking. It was indeed needful that this vice should be condemned, when the subject was the keeping of the law; for they who have put off the grosser vices, are especially subject to this disease. He who is neither an adulterer, nor a thief, nor a drunkard, but, on the contrary, seems brilliant with some outward shew of sanctity will set himself off by defaming others, and this under the pretense of zeal, but really through the lust of slandering. The object here, then, was to distinguish between the true worshippers of God and hypocrites, who are so swollen with Pharisaic pride, that they seek praise from the defects of others. If any one, he says, seems to be religious, that is, who has a show of sanctity, and the meantime flatters himself by speaking evil of others, it is hence evident that he does not truly serve God. For by saying that his religion is vain, he not only intimates that other virtues are marred by the stain of evil-speaking, but that the conclusion is, that the zeal for religion which appears is not sincere. But deceiveth his own heart. I do not approve of the version of Erasmus — “But suffers his heart to err;” for he points out the fountain of that arrogance to which hypocrites are addicted, through which, being blinded by an immoderate love of themselves, they believe themselves to be far better than they really are; and hence, no doubt, is the disease of slandering, because the wallet, as Aesop says in his Apologue, hanging behind, is not seen. Rightly, then, has James, wishing to remove the effect, that is, the lust of evil-speaking, added the cause, even that hypocrites flatter themselves immoderately. For they would be ready to forgive were they in their turn to acknowledge themselves to be in need of forgiveness. Hence the flatteries by which they deceive themselves as to their own vices, make them such supercilious censors of others.
Tiago 1:27
27 Pure religion. As he passes by those things which are of the greatest moment in religion, he does not define generally what religion is, but reminds us that religion without the things he mentions is nothing; as when one given to wine and gluttony boasts that he is temperate, and another should object, and say that the temperate man is he who does not indulge in excess as to wine or eating; his object is not to express the whole of what temperance is, but to refer only to one thing, suitable to the subject in hand. For they are in vain religious of whom he speaks, as they are for the most part trifling pretenders. James then teaches us that religion is not to be estimated by the pomp of ceremonies; but that there are important duties to which the servants of God ought to attend. To visit in necessity is to extend a helping hand to alleviate such as are in distress. And as there are many others whom the Lord bids us to succor, in mentioning widows and orphans, he states a part for the whole. There is then no doubt but that under one particular thing he recommends to us every act of love, as though he had said, “Let him who would be deemed religious, prove himself to be such by self denial and by mercy and benevolence towards his neighbors.” And he says, before God, to intimate that it appears in deed otherwise to men, who are led astray by external masks, but that we ought to seek what pleases him. By God and Father, we are to understand God who is a father.