Lucas 18
Gregory Palamas
Lucas 18:9
1. O patrocinador invisível do mal é cheio de malignidade engenhosa. Logo no início ele pode arrastar, por meio da desesperança e falta de fé, os fundamentos da virtude já estabelecidos na alma. Novamente, por meio da indiferença e preguiça, pode tentar atacar as paredes da casa da virtude justo quando estão sendo construídas. Ou pode derrubar o teto das boas obras após sua construção, por meio do orgulho e da loucura. Mas permaneça firme, não se assuste, pois um homem diligente é ainda mais engenhoso nas coisas boas, e a virtude tem forças superiores para se opor ao mal. Ela tem à sua disposição suprimentos e apoio na batalha dAquele que é todo-poderoso, Que em Sua bondade fortalece todos os amadores da virtude. Assim não só a virtude pode permanecer inabalável pelos vários ardis malignos preparados pelo inimigo, como também pode levantar e restaurar aqueles caídos às profundezas do mal, e facilmente conduzi-los a Deus através do arrependimento e humildade. 2. Aqui está um exemplo e uma prova clara. O Publicano, como publicano, habita nas profundezas do pecado. Tudo que tem em comum com aqueles que vivem virtuosamente é uma única e breve expressão, mas ele encontra alívio, é levantado e sobe acima de todo mal. Ele é contado na companhia dos justos, justificado pelo Juiz imparcial em pessoa. Se o Fariseu é condenado por sua fala, é porque, como fariseu, ele se pensa ser alguém, ainda que não seja realmente justo, e profere muitas palavras arrogantes que provocam a ira de Deus com cada sílaba. 3. Por que a humildade leva às alturas da justiça, enquanto a auto-estima leva às profundezas do pecado? Porque qualquer um que pense ser algo grande, mesmo diante de Deus, é justamente abandonado por Deus, como aquele que pensa que não precisa de Sua ajuda. Qualquer um que se despreça a si mesmo, por outro lado, e confia na misericórdia de cima, conquista a simpatia, ajuda e graça de Deus. Como diz, "O Senhor resiste aos soberbos, mas concede graça aos humildes" (Prov. 3:34 LXX).
Lucas 18:10
4. O Senhor demonstra isto numa parábola, dizendo. "Dois homens subiram ao templo para orar, um fariseu, e o outro um publicano" (Lc 18:10). Querendo pôr claramente diante de nós o ganho que vem da humildade e a perda que vem do orgulho, dividiu em dois grupos todos os que subiam ao Templo, ou, mais propriamente, aqueles que subiam ao Templo, que são os que lá sobem para orar. Esta é a natureza da oração, ela traz um homem da terra para o céu e, subindo acima de cada nome celeste, altura e honra, o coloca diante do Deus que está acima de todos (cf. Rm. 9:5). O antigo Templo estava situado num lugar elevado, numa colina acima da cidade. Certa vez quando uma epidemia mortal estava destruindo Jerusalém, Davi viu o Anjo da Morte nesta colina, estendendo sua espada contra a cidade. Subiu lá e construiu um altar para o Senhor, no qual ofereceu um sacrifício a Deus, e a destruição cessou (2 Sam. 24:15-25). Todas estas coisas são uma imagem da ascensão salvadora do espírito durante a santa oração e do perdão que ela traz - pois todas estas coisas presagiaram nossa salvação. Elas também podem ser uma imagem desta nossa santa igreja, que de fato está situado num lugar elevado, num outro país angélico acima do mundo, onde o grande sacrifício incruento, aceitável a Deus, é oferecido pelo perdão de todo o mundo, destruição da morte e abundância de vida eterna. 5. Então o Senhor não disse, "Dois homens foram ao templo", mas "subiram" ao Templo. Mesmo agora há alguns que vêm à santa igreja sem subir. Ao invés eles trazem a igreja para baixo, a imagem do céu. Vêm por causa de encontro um com o outro e conversas, ou para comprar e vender bens, e eles se assemelham uns aos outros, pois os últimos oferecem bens, os primeiros palavras, e todos recebem uma troca justa. Como naqueles dias o Senhor os expulsou completamente do Templo dizendo, "Minha casa será chamada casa de oração; mas vocês a tornaram um covil de ladrões" (Mt. 21:13), assim Ele também os afastou de suas conversas, visto que não subiam realmente ao Templo, mesmo que viessem lá todos os dias. 6. O Fariseu e o Publicano subiram ao Templo, ambos com o objetivo de orar. Mas o Fariseu se derrubou depois de subir, derrotando seu objetivo pela forma como orou. Ambos tinham o mesmo objetivo ao subir, ambos subiram para orar, mas oraram de formas opostas. Um fez a ascensão quebrada e contrita, pois aprendera do Salmista e do Profeta que "um coração quebrado e contrito, Ó Deus, Você não desprezará" (Sal. 51:17). O Profeta diz de si próprio, com o conhecimento da experiência, "Fui abaixado e o Senhor me ajudou" (Sal. 116:6). Mas por que falo do Profeta, quando o Deus dos profetas, Que por nós se tornou como nós, se humilhou. "Por isso", como diz o Apóstolo, "Deus o exaltou altamente" (Fil. 2:9). O Fariseu, em contraste, sobe inchado com pretensões de se justificar diante de Deus, embora toda nossa justiça seja como um pano imundo diante Dele (cf. Is. 64:6). Ele não tinha ouvido o dito, "Todo aquele que é orgulhoso de coração é abominação para o Senhor" (Prov. 16:5), ou, "Deus resiste aos soberbos" (Prov. 3:34 LXX), ou, "Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos" (Isa. 5:21). 7. Os dois eram diferentes não apenas em sua maneira e forma de orar, mas também em seu tipo de oração, pois existem dois tipos. A oração não é apenas uma questão de súplica, mas também de ação de graças. Daqueles que oram, um sobe ao Templo de Deus louvando e dando graças a Deus pelo que recebeu d'Ele. Outro pede pelo que ainda não recebeu, incluindo, no caso dos que cometemos pecado o tempo todo, remissão de pecados. Quando piedosamente prometemos oferecer algo a Deus, isso não é chamado oração, mas um voto, como mostrado por aquele que disse, "Faze votos, e cumpre os votos ao Senhor teu Deus" (Sal. 76:11), e aquele que disse, "Melhor é que não voues, do que voues e não cumpras" (Ecl. 5:4).
Lucas 18:11
8. Porém, estes dois tipos de oração podem ambos ser improfícuos para os desatentos. A fé e a contrição tornam a oração e a súplica pela remissão dos pecados eficazes, uma vez que as más ações foram renunciadas, mas o desespero e a dureza de coração a tornam ineficaz. O agradecimento pelos benefícios recebidos de Deus é tornado aceitável pela humildade e por não desprezar aqueles que carecem deles. É tornada inaceitável, porém, pela vanglória, como se aqueles benefícios resultassem de nossos próprios esforços e conhecimento, e por condenar aqueles que não os receberam. O comportamento e as palavras do Fariseu provam que estava acometido de ambas estas doenças. Ele subiu ao Templo para dar graças, não para fazer súplica e, como um miserável tolo, misturou vanglória e condenação dos outros com seu agradecimento. Pois pôs-se de pé e orou assim consigo: "Deus, dou-te graças, porque não sou como os outros homens, que são salteadores, injustos, adúlteros" (Lc 18:11). 9. Em lugar da atitude de um servo, a postura do Fariseu exibe auto-exaltação desavergonhada, o oposto daquele outro homem que, em sua humildade, não ousava nem levantar os olhos para o céu. É razoável que o Fariseu tenha orado a si mesmo, pois sua oração não subiu a Deus, ainda que não escapasse da percepção Daquele que se senta sobre os Querubins e observa as profundezas mais baixas do abismo. Quando disse "dou-te graças", não prosseguiu dizendo, "porque em Tua misericórdia Você me entregou livremente, fraco e incapaz de lutar como sou, das armadilhas do diabo". Pois é espiritualmente corajoso aquele que consegue se refugiar no arrependimento quando capturado nas armadilhas do inimigo e caído nas redes do pecado. As circunstâncias de nossas vidas são dirigidas por uma providência superior e frequentemente, com pouco ou nenhum esforço de nossa parte, pela ajuda de Deus, escapamos do alcance de muitas grandes paixões, entregues por Sua compaixão com nossa fraqueza. Devemos reconhecer o presente e nos humilharmos diante do Doador, não ser vaidosos. 10. O Fariseu diz, "Dou-te graças, Deus", não porque recebi qualquer ajuda de Ti, mas "porque não sou como os outros homens". Como se fosse de seus próprios recursos e através de sua própria capacidade que ele não era um salteador ou injusto ou adúltero - se, de fato, realmente não era. Ele não dava atenção a si mesmo, ou não teria dito que era justo. Estava olhando mais para todos os outros do que para si mesmo e, em sua loucura, os desprezava a todos. Apenas um lhe parecia ser justo e casto: a si mesmo. "Não sou", diz, "como os outros homens, salteadores, injustos, adúlteros, ou mesmo como este publicano" (Lc 18:11). Qualquer um poderia apontar a ele o quão tolo era, dizendo-lhe, "Se todos, exceto você, são injustos e salteadores, então quem são as vítimas de roubo e injustiça? E quanto a este Publicano, e as palavras extras que você acrescentou sobre ele? Visto que ele é um dos demais, certamente estava incluído em sua condenação geral, sua condenação universal? Ou ele teve de ser condenado duas vezes porque estava à sua vista, ainda que estivesse de pé longe de você. Você sabia que era injusto porque era evidentemente um publicano, mas como você sabia que era adúltero? Ou talvez você tenha o direito de tratá-lo injustamente e insultá-lo visto que ele tratava os outros injustamente?" Mas não é assim. Com uma mente humilde ele suporta sua acusação arrogante e, recriminando a si mesmo, oferece súplica a Deus e é entregue por Ele da condenação de ter tratado os outros injustamente. Você, porém, será justamente condenado por ter feito acusações arrogantes contra ele e contra todos os homens, e considerado a si mesmo apenas justo. "Não sou como os outros homens, salteadores, injustos, adúlteros."
Lucas 18:12
11. Estas palavras mostram o desprezo do Fariseu por Deus e por todos, mas também pelos padrões de sua própria consciência. Ele abertamente despreça todos e atribui sua abstenção do mal não à força de Deus, mas à sua. Se diz que dá graças a Deus, é apenas porque considera todos os homens, exceto a si mesmo, como licenciosos, injustos e salteadores, como se Deus julgasse conveniente conceder virtude apenas a ele. Porém, se todos fossem assim, todos os bens do Fariseu estariam em sua posse como despojo. Mas não é assim, pois acrescenta, "Jejuo duas vezes na semana, dou dízimos de tudo que ganho" (Lc 18:12). Ele não diz que dá dízimos de tudo que possui, mas de tudo que ganha, significando os acréscimos e aumentos de sua fortuna. Então guardou o que possuía e também levou sem impedimento o máximo que pôde além disso. Como todos, exceto ele, poderiam ser salteadores e injustos? Isto é como o mal é auto-refutador e auto-enganador! A loucura sempre está misturada com mentiras. 12. Ele colocou em primeiro lugar o fato de que dava dízimos de sua riqueza para provar sua justiça; pois se alguém dá dízimos de sua própria riqueza, como pode ser salteador de bens alheios? Colocou o jejum em primeiro lugar para se exibir por sua castidade, porque o jejum dá origem à pureza. Por argumento, então, digamos que você é casto, justo, sábio, sensato, corajoso, e tudo o mais que desejar. Se isto veio de você mesmo e não de Deus, por que você desonestamente finge orar? Por que você sobe ao Templo e dá graças em vão? Mas se veio de Deus, você não o recebeu para se gabar, mas para edificação dos outros para a glória do Doador. Você deveria ter se alegrado humildemente e dado graças tanto Àquele que deu quanto aos que os dons foram dados. A lâmpada recebe luz para aqueles que a veem, não para si mesma. Pela palavra "semana" o Fariseu usa a palavra "Sabá", mas ele não significa o sétimo dia, mas os sete dias, em dois dos quais ele se gaba de jejuar. Ele não percebe que tais jejuns são meras virtudes humanas, enquanto que o orgulho é demoníaco. Quando o orgulho está ligado ao jejum, porém genuíno, ele anula e destrói as virtudes, e muito mais assim se o jejum é uma falsidade.
Lucas 18:13
13. Estas são as palavras do Fariseu. Em contraste, o Publicano "de pé de longe, não ousava nem levantar os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo, Deus, tem misericórdia de mim, pecador" (Lc 18:13). Veja a extensão de sua humildade, fé e auto-reprovação. Veja o abatimento completo de seus pensamentos e sentimentos, e, ao mesmo tempo, contrição de coração misturada com a oração deste publicano. Quando subiu ao Templo para orar pelo perdão de seus pecados, trouxe consigo bons intercessores diante de Deus: fé desavergonhada, auto-reprovação não condenada, contrição de coração que não é desprezada e humildade que exalta. Uniu a atenção à oração de forma excelente. Diz, "O publicano de pé de longe". Não "estava de pé", como no caso do Fariseu, mas "de pé", para mostrar que estava de pé por muito tempo, continuamente orando e pedindo misericórdia. Sem qualquer outra intenção ou pensamento, prestava atenção apenas a si mesmo e a Deus, considerando e repetindo a súplica de um único pensamento, a mais eficaz de todas as orações. 14. "E o publicano, de pé de longe, não ousava nem levantar os olhos para o céu" (Lc 18:13). Enquanto estava de pé se curvava, e sua postura não era apenas a de um servo humilde, mas também a de um homem condenado. Isto também proclama uma alma entregue do pecado. Embora ainda longe de Deus, sem a confiança diante Dele que vem das boas obras, tem esperança de se aproximar porque já renunciou o mal e se dedica ao bem. "De pé de longe o publicano não ousava nem levantar os olhos para o céu", mostrando sua auto-condenação e auto-reprovação por sua maneira e aparência. Viu-se como indigno tanto do céu como do Templo terrestre, assim ficou no limiar do Templo, nem se atrevendo nem a virar seu olhar para o céu, muito menos para o Deus do céu. Em sua contrita intensidade bateu no peito para mostrar que era digno de castigo. Suspirou em luto mais profundo, abaixando a cabeça como um homem condenado, chamando a si mesmo de pecador e implorando com fé por perdão, dizendo, "Deus, tem misericórdia de mim, pecador". Pois acreditava Naquele que disse, "Voltai-vos para mim, e eu me voltarei para vós" (Zc 1:3), e no Profeta que testificou, "Eu disse, Confessarei meus delitos ao Senhor, e você perdoou a iniquidade do meu coração" (cf. Sal. 32:5).
Lucas 18:14
15. O que aconteceu então? "Este homem", diz o Senhor, "desceu a sua casa justificado, mais do que aquele, pois todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado" (Lc 18:14). Como o diabo é o próprio orgulho e o soberbo é seu próprio mal particular, ele derrota e devora qualquer virtude humana com a qual seja misturado. Enquanto a humildade é a virtude dos bons anjos, e derrota qualquer mal humano que venha sobre a humanidade caída. A humildade é a carruagem pela qual ascendemos a Deus, como aquelas nuvens que irão levar até Deus aqueles que habitariam com Ele por eras sem fim, conforme predito pelo Apóstolo: "Seremos arrebatados nas nuvens para encontrar o Senhor nos ares: e assim estaremos para sempre com o Senhor" (1 Ts 4:17). A humildade é a mesma que tal nuvem. É formada pelo arrependimento, liberta correntes de lágrimas; tira o digno dentre os indignos e os conduz a se unir com Deus, justificados por Seu dom gratuito pela gratidão de sua disposição livre. 16. No início o Publicano malignamente apropriou-se dos bens alheios; depois renunciou à desonestidade e, por não se justificar, foi justificado. O Fariseu não reclamou os bens alheios, mas, ao se justificar, foi condenado. O que recairá sobre aqueles que reclamam os bens alheios e tentam se justificar? 17. Deixemos a eles, como faz o Senhor, pois palavras não convencerão tais pessoas. Algumas vezes acontece que nos humilhamos quando oramos, e podemos imaginar que seremos recompensados com a mesma justificação que o Publicano. Mas não é assim. Devemos considerar o fato de que o Publicano foi desprezado pelo Fariseu cara a cara, mesmo depois de ter abandonado o pecado, e ele se condenou com desprezo, não apenas não contradizendo o Fariseu, mas se unindo às suas acusações contra si mesmo. 18. Quando você abandona sua maldade, não contradiga aqueles que o desprezam ou o censuram por causa disso. Una-se a eles em se condenar pelo que você é, e, através da oração contrita, procure refúgio apenas no perdão de Deus, percebendo que você é um publicano resgatado. Muitos chamaram a si mesmos de pecadores, e assim fazemos nós também, mas a desonra testa o coração. O grande Paulo está longe da jactância farisaica, mas escreveu àqueles em Corinto que falavam em línguas, "Dou graças a Deus, falo em línguas mais que todos vós" (1 Cor. 14:18). (Ele que em outro lugar se chama a escória de todas as coisas, escreve estas palavras para restringir aqueles que desprezam aqueles que não tiveram este dom, cf. 1 Cor. 4:13). Se portanto Paulo, que está longe da jactância farisaica, pode escrever tais palavras, também é possível para alguém dizer as mesmas palavras que o Publicano e ser humilde na fala como ele, mas não ser justificado como ele foi. Às palavras do Publicano deve-se acrescentar sua renúncia do mal, a disposição de sua alma, sua contrição e sua paciência. Davi nos mostra por suas ações que qualquer um que se considere culpado diante de Deus e se arrependa deve acreditar que o desprezo e o opróbrio dos outros sobre ele é justo e deve ser suportado. Depois que ele havia pecado, quando ouviu Simei falando mal dele, disse àqueles que queriam retaliar, "Deixe-o amaldiçoar, porque o Senhor disse a ele, Amaldiçoe David" (2 Sam. 16:10). Conforme ele, o perdão de Deus do pecado de David contra ele havia colocado o homem lá. Mas David estava lutando naquele tempo com uma calamidade grande e terrível, visto que Absalão havia se levantado em revolta contra ele (2 Sam. 15:7ff). 19. Deixando Jerusalém contra sua vontade e com um pesar insuportável, fugiu até o pé do Monte das Oliveiras. Lá, para piorar a calamidade, encontrou Simei atirando pedras nele, amaldiçoando-o implacavelmente e insultando-o desonestamente (2 Sam. 16:5ff). Chamou-o de homem sanguinário e criminoso, como se para recordar ao Rei, em sua desonra, do incidente com Betsabá e Urias (2 Sam. 11:3-15). Não parou depois de amaldiçoá-lo uma ou duas vezes e jogar algumas pedras, e palavras que ferem mais que pedras. Diz que o Rei com todos os seus homens continuou com Simei acompanhando pela encosta da montanha seguindo o Rei, amaldiçoando-o, atirando pedras do lado e sujando-o com lama. O Rei não faltava homens para detê-lo. Abisai, seu comandante, incapaz de suportar isso, disse ao Rei, "Por que este cão morto amaldiçoa a meu senhor e rei? deixa-me ir, peço-te, e cortar-lhe a cabeça" (2 Sam. 16:9). Mas Davi o restringiu e a todos os seus servos, dizendo-lhes, "Deixe-o amaldiçoar. Pode ser que o Senhor olhe para minha aflição, e que o Senhor me recompense bem por sua maldição neste dia" (2 Sam. 16:12). 20. Os acontecimentos que ocorreram naqueles dias são mostrados na parábola do Publicano e do Fariseu, cumpridos para sempre pela justiça. Se alguém realmente se considera culpado de punição eterna, ele corajosamente suportará não apenas desonra, mas também dano, doença e, de fato, todo tipo de desventura e mau-trato. Aquele que demonstra tal paciência, como se em débito e culpado, é entregue por uma condenação muito leve, temporária e efêmera, salvo de punição verdadeiramente grave, insuportável e sem fim. Algumas vezes ele pode até ser entregue dos perigos que o ameaçam agora, porque a bondade de Deus começa a partir desse ponto, devido à sua paciência. Alguém castigado por Deus disse, "Vou suportar a repreensão do Senhor, porque pequei contra ele" (cf. Miquéias 7:9 LXX). 21. Que nós, castigados não pela ira e cólera do Senhor, mas por Sua misericórdia, não sejamos abatidos pelo castigo de Deus, mas como o Salmista possamos ser levantados no final pela graça e amor para com a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Quem seja glória, poder, honra e adoração, juntamente com o Pai e o Espírito vivificador, agora e para sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.