Antigo Testamento

34

18

1Respondeu mais Elihu, e disse:

2Ouvi, vós, sabios, as minhas razões: e vós, entendidos, inclinae, os ouvidos para mim.

3Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar gosta a comida.

4O que é direito escolhamos para nós: e conheçamos entre nós o que é bom.

5Porque Job disse: Sou justo; e Deus tirou o meu direito.

6No meu direito me é forçoso mentir: dolorosa é a minha frecháda sem transgressão.

7Que homem ha como Job, que bebe a zombaria como agua?

8E caminha em companhia com os que obram a iniquidade, e anda com homens impios?

9Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.

10Pelo que vós, homens d'entendimento, escutae-me: Deus esteja longe da impiedade, e o Todo-poderoso da perversidade!

11Porque, segundo a obra do homem, elle lh'o paga; e segundo o caminho de cada um lh'o faz achar.

12Tambem, na verdade, Deus não obra impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juizo.

13Quem lhe pedia conta do governo da terra? e quem dispoz a todo o mundo?

14Se pozesse o seu coração contra elle, recolheria para si o seu espirito e o seu folego.

15Toda a carne juntamente expiraria, e o homem se voltaria para o pó.

16Se pois ha em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos á voz do meu discurso.

17Porventura o que aborrece o direito ataria as feridas? e tu condemnarias aquelle que é justo?

18Ou dir-se-ha a um rei, Oh! Belial? aos principes, Oh! impios?

19Quanto menos áquelle, que não faz accepção das pessoas de principes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos

20Elles n'um momento morrem; e até á meia noite os povos são perturbados, e passam, e o poderoso será tomado sem mão

21Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e elle vê todos os seus passos.

22Não ha trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que obram a iniquidade.

23Porque não se faz tanto caso do homem que contra Deus possa entrar em juizo.

24Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu logar.

25Elle conhece pois as suas obras, de noite os transtorna, e ficam moidos.

26Elle os bate como impios que são, no logar dos expectadores:

27Porquanto se desviaram d'atraz d'elle, e não comprehenderam nenhum de seus caminhos.

28Para fazer que o clamor do pobre subisse até elle, e que ouvisse o clamor dos afflictos.

29Se elle aquietar, quem então inquietará? se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar, seja para com um povo, seja para com um homem só?

30Para que o homem hypocrita nunca mais reine, e não haja laços do povo.

31Na verdade, quem a Deus disse: Supportei castigo, não perecerei.

32O que não vejo, ensina-m'o tu: se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer.

33Virá de ti como o recompensará, pois tu o desprezas? farias tu pois, e não eu, a escolha: que é logo o que sabes? falla.

34Os homens de entendimento dirão comigo, e o varão sabio me ouvirá.

35Job fallou sem sciencia; e ás suas palavras falta prudencia.

36Pae meu! provado seja Job até ao fim, para as suas respostas entre os homens malignos.

37Porque ao seu peccado accrescenta a transgressão; entre nós bateria as palmas das mãos, e multiplicaria contra Deus as suas razões.