Antigo Testamento

Provérbios 1

18

1Proverbios de Salomão, filho de David, rei d'Israel;

2Para se conhecer a sabedoria e a instrucção; para se entenderem as palavras da prudencia;

3Para se receber a instrucção do entendimento, a justiça, o juizo, e a equidade;

4Para dar aos simplice prudencia, e aos moços conhecimento e bom siso;

5Para o sabio ouvir e crescer em doutrina, e o entendido adquirir sabios conselhos;

6Para entender proverbios e a sua declaração: como tambem as palavras dos sabios, e as suas adivinhações.

7O temor do Senhor é o principio da sciencia: os loucos desprezam a sabedoria e a instrucção.

8Filho meu, ouve a instrucção de teu pae, e não deixes a doutrina de tua mãe.

9Porque diadema de graça serão para a tua cabeça, e colares para o teu pescoço.

10Filho meu, se os peccadores te attrahirem com afagos, não consintas.

11Se disserem: Vem comnosco; espiemos o sangue; espreitemos o innocente sem razão;

12Traguemol-os vivos, como a sepultura; e inteiros, como os que descem á cova;

13Acharemos toda a sorte de fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos;

14Lança a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa.

15Filho meu, não te ponhas a caminho com elles: desvia o pé das suas veredas;

16Porque os seus pés correm para o mal, e se apressam a derramar sangue.

17Na verdade debalde se estende a rede perante os olhos de toda a sorte d'aves.

18E estes armam ciladas contra o seu proprio sangue; e as suas proprias vidas espreitam.

19Assim são as veredas de todo aquelle que usa d'avareza: ella prenderá a alma de seus amos.

20A suprema sabedoria altamente clama de fóra: pelas ruas levanta a sua voz.

21Nas encruzilhadas, em que ha tumultos, clama: ás entradas das portas, na cidade profere as suas palavras.

22Até quando, ó simplices, amareis a simplicidade? e vós, escarnecedores, desejareis o escarneo? e vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?

23Tornae-vos á minha reprehensão: eis que abundantemente vos derramarei de meu espirito e vos farei saber as minhas palavras.

24Porquanto clamei, e vós recusastes; estendi a minha mão, e não houve quem désse attenção;

25Mas rejeitastes todo o meu conselho, e não quizestes a minha reprehensão.

26Tambem eu me rirei na vossa perdição, e zombarei, vindo o vosso temor;

27Vindo como a assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição como uma tormenta, sobrevindo-vos aperto e angustia.

28Então a mim clamarão, porém eu não responderei; de madrugada me buscarão, porém não me acharão.

29Porquanto aborreceram o conhecimento; e não elegeram o temor do Senhor;

30Não consentiram ao meu conselho e desprezaram toda a minha reprehensão.

31Assim que comerão do fructo do seu caminho, e fartar-se-hão dos seus proprios conselhos.

32Porque o desvio dos simplices os matará, e a prosperidade dos loucos os destruirá.

33Porém o que me der ouvidos habitará seguramente, e estará descançado do temor do mal