Antigo Testamento

Provérbios 30

18

1Palavras d'Agur, filho de Jake, a prophecia: disse este varão a Ithiel; a Ithiel e a Ucal:

2Na verdade que eu sou mais brutal do que ninguem, não tenho o entendimento do homem.

3Nem aprendi a sabedoria, nem conheci o conhecimento dos sanctos.

4Quem subiu ao céu e desceu? quem encerrou os ventos nos seus punhos? quem amarrou as aguas n'um panno? quem estabeleceu todas as extremidades da terra? qual é o seu nome? e qual é o nome de seu filho? se é que o sabes?

5Toda a palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam n'elle.

6Nada accrescentes ás suas palavras, para que não te reprehenda e sejas achado mentiroso.

7Duas coisas te pedi; não m'as negues, antes que morra:

8Alonga de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: mantem-me do pão da minha porção acostumada.

9Para que porventura de farto te não negue, e diga: Quem é o Senhor? ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e lance mão do nome de Deus.

10Não calumnies o servo diante de seu senhor, para que te não amaldiçoe e fiques culpado.

11Ha uma geração que amaldiçoa a seu pae, e que não bemdiz a sua mãe

12Ha uma geração que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua immundicia.

13Ha uma geração cujos olhos são altivos, e as suas palpebras levantadas para cima.

14Ha uma geração cujos dentes são espadas, e cujos queixaes são facas, para consumirem da terra os afflictos, e os necessitados d'entre os homens.

15A sanguesuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Estas tres coisas nunca se fartam; e quatro nunca dizem: Basta.

16A sepultura; a madre esteril; a terra que se não farta d'agua; e o fogo nunca diz: Basta.

17Os olhos que zombam do pae, ou desprezam a obediencia da mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os pintãos da aguia os comerão.

18Estas tres coisas me maravilham; e quatro ha que não conheço:

19O caminho da aguia no céu; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; e o caminho do homem com uma virgem.

20Tal é o caminho da mulher adultera: ella come, e limpa a sua bocca, e diz: Não commetti maldade.

21Por tres coisas se alvoroça a terra: e por quatro, que não pode supportar:

22Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando anda farto de pão:

23Pela mulher aborrecida, quando se casa; e pela serva, quando ficar herdeira da sua senhora.

24Estas quatro coisas são das mais pequenas da terra, porém sabias, bem providas de sabedoria:

25As formigas são um povo impotente; todavia no verão preparam a sua comida:

26Os coelhos são um povo debil; e comtudo põem a sua casa na penha:

27Os gafanhotos não teem rei; e comtudo todos saem, e em bandos se repartem:

28A aranha apanha com as mãos, e está nos paços dos reis.

29Estas tres teem um bom andar, e quatro que passeiam mui bem:

30O leão, o mais forte entre os animaes, que por ninguem torna atraz:

31O cavallo de guerra, bem cingido pelos lombos; e o bode; e o rei a quem se não pode resistir.

32Se obraste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, põe a mão na bocca.

33Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz produz sangue, e o espremer da ira produz contenda.